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PÃO POR DEUS

Uma tradição antiga que se mantém e que até há pouco era praticada somente por crianças que, de porta em porta, iam pedindo, numa cantilena habitual, “pão por Deus, por amor de Deus.

Hoje é diferente. Não apenas aqui, mas por esse Portugal fora. A fome, que actualmente se denomina de “crise”, porque dela é resultante, está a atingir uma parte avantajada das gentes portuguesas. E chegou a estas ilhas. Impressionante foi ver, aqui há dias, p.e., no  adro da Sé de Angra,  a distribuição de um pratinho de sopa às muitas pessoas que lá apareceram. E quantos  casos semelhantes acontecem, felizmente digo, por esse País fora. E ainda bem, pois será a única refeição que muitos terão diariamente.  Mas é sinal de que o País caiu, repentinamente, na miséria e não há quem lhe acuda, nem os responsáveis são identificados...

Já escrevi ao contrário daquilo que hoje aqui trago. Durante vário anos, nesta ilha não havia quem estendesse a mão à caridade pública. Hoje alguns não o fazem por vergonha.

Os investimentos públicos estão quase paralisados e eram eles que garantiam o salário diário a muitos operários dos diversos sectores.

Deixando de haver obras, onde poderão os operários ir buscar o salário para o sustento diário dele e da família?

Para alguns valem as vacas. Mas nem todos têm essa actividade, nem as terras que estão sendo utilizadas permitem o aumento das manadas.

Há, por aí, muitos hectares de terrenos  incultos e ocupados por arvoredo selvagem sem interesse para ninguém. No entanto parece que, por neles existirem espécies classificadas, não é permitido o abate. O Pico está cheio de incensos e faias, tamujo, urze, sanguinho, pau-branco, e até canavial e roca-de-velha, algumas delas espécies classificadas como endémicas. Endémicas ou não, não deixam de ser, nesta ilha, plantas infestantes que prejudicam seriamente os terrenos e impedem as espécies úteis de progredir, como é o caso do incenso que só tem o único mérito de ter uma floração aromática. Mas isso não basta para a conservarmos em terrenos aptos a outras culturas.

Julgo que as entidades públicas, ao porem em execução as normas impostas pela Troika, devem analisar, previamente, os seus efeitos prejudiciais ao bem estar das populações. “Apertar o cinto” e morrer na miséria não é sistema honesto. Encontrem-se outros meios de pagar as dívidas e debelar a crise, não à custa dos míseros salários e ordenados da maioria dos portugueses e do indispensável sustento das famílias, sem esquecer as crianças indefesas e os velhos. Pois estes já deram o seu contributo muito avantajado para o sustento e progresso da Nação. E agora, quantos deles vivem da caridade publica ou nos lares, ou recebendo esmola das instituições particulares!

Hoje o pão por Deus não é apenas o reatar de uma tradição, mas um dia em que os necessitados, crianças ou idosos, principalmente, estendem a mão à caridade pública, à espera de uns cêntimos (por onde andam os escudos de saudosa memória?!) para  mitigar a fome.

 

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